A Polícia Federal (PF) apontou o senador Weverton Rocha (PDT-MA) — vice-líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal — como suposto “sócio oculto” em um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) envolvendo descontos ilegais em aposentadorias e pensões. A nova fase da Operação Sem Desconto foi deflagrada nesta quinta-feira (18), com buscas e apreensões em diversos estados do país, incluindo endereços ligados ao parlamentar.
O que diz a investigação da PF
Segundo a representação da Polícia Federal que embasou a operação, Weverton teria atuado como beneficiário final dos recursos desviados pelo esquema, recebendo vantagens por meio de pessoas interpostas, incluindo assessores parlamentares. A PF aponta que o senador teria sido uma espécie de “sustentáculo político” das atividades da organização criminosa, facilitando a influência institucional que permitiu a continuidade das fraudes.
O relatório policial, divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), menciona indícios como mensagens trocadas entre operadores financeiros do grupo e até um arquivo em Excel identificado como “Grupo Senador Weverton”, que reforçaria a ligação do senador com o esquema investigado em várias fases da operação.
Além disso, agentes da PF cumpriram mandados em outros pontos do país e em residências de pessoas ligadas ao grupo investigado — incluindo o empresário Romeu Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema.
Pedido de prisão negado pelo STF
A Polícia Federal chegou a solicitar a prisão preventiva de Weverton Rocha ao ministro do STF André Mendonça, responsável pela autorização dos mandados. No entanto, o pedido foi negado pelo magistrado. A PGR (Procuradoria-Geral da República) também havia se manifestado contra a prisão, argumentando que os elementos apresentados pela PF — embora levantem suspeitas — ainda não demonstram, de forma robusta, o vínculo direto do senador com a execução das fraudes ou o recebimento de valores ilícitos.
O ministro avaliou que medidas como a prisão de um parlamentar exigem cautela por seus “efeitos drásticos”, especialmente quando se considera o exercício do mandato eletivo.
Reação e postura de Weverton Rocha
Em nota oficial após a operação, Weverton afirmou ter recebido com “surpresa” as buscas realizadas em sua casa em Brasília e declarou que está à disposição para prestar esclarecimentos assim que tiver acesso integral ao conteúdo da decisão judicial que embasou as medidas.
O contexto da Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto apura um esquema de fraudes em descontos associativos não autorizados que afetou milhões de aposentados e pensionistas em todo o país. Os investigadores estimam que o volume de recursos envolvidos possa chegar a valores bilionários, causados pelo pagamento indevido de benefícios com descontos ilegais que foram repassados a grupos empresariais e intermediados por operadores do esquema.
Várias pessoas já foram presas e estão sob investigação, incluindo empresários, operadores financeiros e assessores que teriam atuado como intermediários dos recursos supostamente desviados.
O que está em jogo
O envolvimento de um vice-líder do governo em um caso dessa magnitude representa um novo capítulo no debate sobre ética na política, influência de grupos criminosos nas instituições públicas e falta de transparência no uso de poder político para legitimar ou blindar esquemas de corrupção. A exemplo de outros episódios recentes, o caso pode reforçar a percepção de que atores políticos ligados ao governo federal participam de redes que fragilizam ainda mais a confiança da população nas instituições.