Foi uma ideia de política externa que surgiu nos idos da década de 1820, proclamada pelo então presidente James Monroe. A “Doutrina Monroe” visava, inicialmente, proteger as nações recém-independentes das Américas do domínio Europeu. Entre os pontos principais, a Doutrina afirmava que as “Américas eram para os povos americanos”.
Mas, a “América para os americanos” embutia e ideia da influência e intervenção dos EUA na América Latina. O domínio dos EUA na região logo gerou reações sobre a expansão, intervencionismo e o imperialismo Americano.
Fato é que a relação dos EUA com a América Latina sempre foi conturbada e de desconfiança.
Não obstante alguma colaboração em áreas como migração, suporte comercial, tráfico e erradicação de drogas e democracia, uma agenda mais aprofundada e que melhor refletisse a dinâmica das necessidades regionais nunca existiu. E uma tentativa de implementação de uma agenda com discussões mais amplas, a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), falhou.
A falta de prioridade da política externa Americana para a América Latina sempre foi evidente. Mas parece que agora, e do nada, o presidente Donald Trump resolveu reviver a “Doutrina Monroe” para reforçar o foco (ou o poderio) dos EUA na América Latina.
A intervenção do presidente Donald Trump na Venezuela é controversa e ilegal sob qualquer ponto de vista do Direito e das convenções internacionais. E isto, sem dúvida, abre um precedente muito perigoso sem que se saiba o que reserva o futuro.
Não obstante as discussões sobre áreas de influência serem legítimas, o mundo no século 21 tem a plena consciência de que a glória não pode vir com a guerra, mas com o respeito ao Direito internacional, as convenções, a colaboração política, a cooperação econômica, e sobretudo o “soft power” — a capacidade de cooptar, não de coagir.
A remoção de um presidente ilegítimo e ditador cruel, como Nicolás Maduro, tem de ser celebrada; a intervenção unilateral de Donald Trump na Venezuela, NÃO.
Como dizer a Vladmir Putin, da Rússia, que ele está errado por ter invadido um país soberano e com direito à autodeterminação? Como evitar que Xi Jimping invada Taiwan? Como parar o próprio Trump se realmente quiser investir contra a Groenlândia?
Com tantos líderes políticos foras da lei, a ordem mundial fica sem ordem.
“A América para os americanos é um slogan que nasceu como um grito contra o colonialismo, mas evoluiu para justificar o domínio dos EUA no continente”.
As grosserias de Donald Trump como instrumento de política externa são inaceitáveis. As mentiras de Donald Trump para justificar as suas ações são inaceitáveis. As posturas de “poder absoluto” e de “jogar de ditador” de Donald Trump são inaceitáveis.
A América Latina, sob a “América para os Americanos”, precisa ser uma parceira estratégica, e não uma extensão do jardim da Casa Branca.

Yalu Tinoco
Mestre em Comércio Internacional e Políticas. para o Alternativa News