
Após alcançar valores históricos em 2024, quando a arroba do cacau chegou a se aproximar de R$ 1.200, o mercado vive agora um movimento de forte retração. No sul da Bahia, uma das principais regiões produtoras do Brasil, o preço da arroba caiu drasticamente e atualmente gira em torno de R$ 250, gerando apreensão entre agricultores e lideranças do setor.
A desvalorização começou a ser percebida no início de 2025 e se intensificou nos últimos meses. Especialistas explicam que o principal fator por trás da queda é a recomposição da oferta mundial. Entre 2023 e 2024, eventos climáticos extremos atingiram países da África Ocidental — responsáveis pela maior parte da produção global de cacau — provocando quebra de safra, escassez do produto e uma disparada nos preços internacionais.
Com a recuperação parcial das lavouras africanas e o aumento da produção em países da América Latina, incluindo o Brasil, o mercado internacional voltou a registrar maior disponibilidade do grão. Esse novo cenário pressionou os preços para baixo. Além disso, a elevação dos custos dos produtos derivados do cacau reduziu o consumo em alguns mercados, levando indústrias a frearem compras e impactando ainda mais as cotações.
No campo, o sentimento é de incerteza. Produtores do sul baiano relatam que muitos realizaram investimentos significativos na lavoura durante o período de alta, apostando na continuidade da valorização. A queda abrupta compromete a rentabilidade, dificulta o planejamento financeiro e pode afetar a sustentabilidade da atividade nos próximos meses.
Diante do cenário, entidades do setor defendem medidas de proteção à produção, incentivo à diversificação agrícola, fortalecimento da industrialização local e políticas públicas que ajudem a reduzir a vulnerabilidade dos produtores às oscilações do mercado internacional.
Redação / Alternativa News