
Da janela lateral do quarto de dormir vejo um país que nas duas últimas décadas se meteu no maior esquema de corrupção da sua história; na maior crise econômica da sua história; e agora na maior crise de segurança pública da sua história.
Vejo um país completamente dividido onde tudo é transformado em ideologia. Vejo um Estado disfuncional, grande, burocrático, ineficiente, e que continua engordando em cima do esforço de quem trabalha e é obrigado a sustentá-lo através de impostos escorchantes (carga tributária mais pesada da história).
Vejo um país que submete a força do trabalho e da destruição criativa à distribuição de esmola governamental como política de sustentação da nação. Em verdade, uma benevolência que não promove a dignidade, a autonomia, o aumento da produtividade, e nem o desenvolvimento econômico. O que cria é um vínculo de dependência quase absoluta com o Estado.
Vejo a saída de dólares do país batendo recorde histórico.
Vejo a dívida pública batendo recorde histórico.
Vejo a maior taxa de juros (selic) dos últimos 20 anos.
Vejo estudantes, escolas e outras organizações sociais sendo submetidos a esforços de doutrinação e movimento ideológico cujos objetivos não são claros — talvez a quebra de todas as regras e normas sociais; mas a troco de que? Se há algum “mal” presente na ordem econômica, social e/ou cultural que foi constituída naturalmente e historicamente a ser combatido, deve ser combatido através da educação que impulsiona a consciência, o pensamento crítico e o debate. Doutrinação, ao contrário, é imposição de ideias que não aceitam questionamentos.
Vejo um sistema de justiça que parece estar mais a serviço de uma ideologia do que a aplicar a justiça justa e constitucional.
Vejo um país que se mantém prosaico, no populismo e na narrativa, enquanto o povo é jogado no sofrimento, aflição e provação; e sem perspectiva econômica, de saúde, de segurança, etc. É ou não uma grande tribulação?
Enfim, vejo um país que está afastado da ética, da moral e da racionalidade, e que não está funcionando bem; e que por tudo isso não podemos esquecer a sua história recente. “Quando esquecemos a história estamos condenados a repeti-la”.
Da janela lateral do quarto de dormir gostaria de ter uma visão mais positiva e animadora do país. Uma mudança de curso se faz necessária.

Yalu Tinoco – Mestre em Comércio Internacional e Políticas. para o Alternativa News
