Novo empréstimo de R$ 720 milhões eleva endividamento da Bahia e acende alerta sobre gestão fiscal

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), encaminhou à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) mais um pedido de autorização para contratação de empréstimo, desta vez no valor de R$ 720 milhões. A proposta, enviada em regime de urgência, aprofunda um cenário já preocupante: em menos de três anos de gestão, o governo estadual acumula mais de R$ 26 bilhões em operações de crédito, totalizando 23 pedidos de empréstimos desde o início do mandato.

De acordo com o projeto de lei, o financiamento seria realizado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com recursos do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS). O Executivo afirma que os valores serão destinados a investimentos em infraestrutura física nas áreas de educação e saúde, em diferentes municípios baianos. No entanto, o texto não apresenta detalhamento claro das obras, prazos ou critérios de aplicação dos recursos.

Oposição reage e critica “endividamento sem lastro”

A sucessão de empréstimos tem provocado forte reação da oposição na AL-BA. O deputado estadual Tiago Correia (PSDB), líder da oposição, voltou a criticar duramente o governo Jerônimo Rodrigues. Segundo ele, o governador tem anunciado obras e compromissos sem garantir sustentabilidade financeira, empurrando a Bahia para um nível de endividamento considerado alarmante.

Correia destacou que o volume da dívida acumulada equivale, em média, a R$ 742,8 milhões por mês, R$ 25 milhões por dia ou cerca de R$ 1 milhão por hora. Para o parlamentar, além do impacto fiscal, há o risco de que muitas dessas promessas sequer se concretizem, já que os trâmites de liberação dos financiamentos são demorados e burocráticos.

Crescimento da arrecadação e contradições fiscais

As críticas também partiram do deputado Nelson Leal, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. Leal classificou o novo pedido de empréstimo como “estarrecedor”, especialmente diante do crescimento expressivo do orçamento estadual nos últimos anos.

Segundo ele, a Bahia saiu de um orçamento de R$ 53 bilhões em 2022 para uma previsão de R$ 77 bilhões em 2026, o que, na avaliação do parlamentar, deveria reduzir — e não ampliar — a dependência de financiamentos. Para Leal, a insistência em recorrer a empréstimos revela falta de planejamento, gestão fiscal frágil e ausência de estratégia de longo prazo.

Falta de transparência preocupa população

Além das disputas políticas, o tema tem gerado inquietação entre os cidadãos baianos. Especialistas e setores da sociedade civil apontam a falta de transparência como um dos principais problemas: não há informações detalhadas sobre quais municípios serão beneficiados, quais obras serão executadas, nem indicadores claros de impacto social.

Outro ponto questionado é a contradição entre a contratação de novas dívidas e a busca simultânea por renegociação de débitos por meio do Programa de Refinanciamento das Dívidas Estaduais (PROPAG). Para a oposição, essa postura evidencia uma condução fiscal incoerente e sem compromisso efetivo com o equilíbrio das contas públicas.

Impactos a longo prazo e risco para futuras gerações

Economistas alertam que o uso recorrente de empréstimos para financiar despesas estruturais pode comprometer a capacidade de investimento futuro do estado. O aumento da dívida pressiona o orçamento com juros e amortizações, reduzindo recursos disponíveis para áreas essenciais e transferindo o ônus financeiro para as próximas gerações.

A crítica central é que investimentos em educação, saúde e infraestrutura são fundamentais, mas precisam ser acompanhados de planejamento, metas claras, controle social e responsabilidade fiscal, evitando que o endividamento se torne uma solução permanente para falhas de gestão.

Debate que exige vigilância

O novo pedido de empréstimo de R$ 720 milhões representa mais um capítulo de uma gestão marcada por forte dependência de crédito e questionamentos sobre sua sustentabilidade financeira. Diante desse cenário, cresce a cobrança para que a Assembleia Legislativa da Bahia exerça seu papel fiscalizador e para que a sociedade acompanhe de perto cada nova operação de crédito.

Transparência, responsabilidade fiscal e compromisso com o desenvolvimento sustentável são exigências cada vez mais presentes no debate público baiano — especialmente quando o futuro econômico do estado está em jogo.

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