
Os últimos acontecimentos envolvendo a queda de braços entre os Poderes mostram o quão distantes estão da ideia preconizada pelo filósofo francês, Montesquieu, de independência e harmonia entre eles. A ideia do sistema de freios e contrapesos, onde “o poder freia o poder”, não está funcionando no Brasil.
Estamos experimentando uma espécie de intolerância institucional. Aliás, nos transformamos numa sociedade intolerante em tudo. Tudo se reduziu aos campos da narrativa e da paixão; da propaganda e da doutrinação; da busca pela hegemonia ideológica que tenta passar por cima de tudo: fatos, estatísticas, história, e até mesmo a razão. Toda e qualquer tentativa de discussão é sufocada pelo viés ideológico e/ou partidário. Enfim, tudo está muito politizado e chato em um ambiente político extremamente tenso.
Lembram do “nós e eles”? Pois é, tudo começou ali, no maior rompante político e ideológico que já se viu.
Ascensão e queda faz parte dos opostos constantes da vida, como o dia e a noite, o bem e o mal, a alegria e a tristeza, etc. Lula está no viés de queda política. A última refrega de Lula e seu governo contra o Congresso é reveladora: o veto presidencial ao PL da dosimetria foi derrubado; a indicação presidencial de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) não foi aprovada. Mesmo a liberação de bilhões de reais em emendas, antes da votação, não garantiu ao governo o sucesso previsto. Lula achava que tinha o Congresso na mão — errou na avaliação. Está perdendo o prestígio e o controle político; e com um governo fraco, populista e sem muita entrega, virou um “pato manco”. É certo que agora ele vai correr atrás de um “salva-vidas político” — vem mais populismo por aí.
Também não sejamos ingênuos em achar que o Congresso “acordou”; ou que deu o seu “grito” de independência; ou, ainda, que tudo foi feito em nome da “democracia”. Claro que não, conhecemos os nossos políticos, seus interesses e cálculos. Como não pregam pregos sem estopa, acho que “Tem coisa no ar, e não é avião”.
O fato real é que as circunstâncias exigem uma mudança de direção política. Mas eis aqui o nosso paradoxo político-existencial:
“Se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de comida seria eleito sempre, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado”. (Orson Scott Card)
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Mestre em Comércio Internacional e Políticas. para o Alternativa News