Grover Sanders Krantz (1931-2002) foi um antropólogo americano apaixonado por ossos, natureza, e também por seus cães. Sua história é um misto de ciência, excentricidade e afeto que ultrapassou os limites da morte — ele fez um pedido muito particular que hoje pode ser visto no Smithsonian’s National Museum of Natural History.
A VIDA E O PEDIDO FINAL
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Krantz era professor universitário, pesquisador sérioso, autor de mais de 60 artigos e 10 livros sobre evolução humana, antropologia forense e até teoria sobre o lendário Sasquatch.
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Quando ficou doente (câncer de pâncreas), em 2002, Krantz decidiu doar seu corpo para a ciência. Ele fez um pedido: que, além dele, os ossos de seus cães irlandeses caçadores de lobos — especialmente seu amado Irish Wolfhound chamado Clyde, morto anos antes — fossem preservados com ele.
O CENÁRIO DO MUSEU
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O corpo de Grover Krantz foi primeiramente enviado para a Body Farm da Universidade do Tennessee, um centro de pesquisa forense onde se estuda decomposição humana.
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Em 2003, seus ossos chegaram ao Smithsonian. Clyde e outros cães também estavam nesse acervo ósseo. Em 2009, Krantz teve seu esqueleto articulado — montado em estrutura para exibição — e exibido junto com o esqueleto de Clyde, no contexto da exposição “Written in Bone: Forensic Files of the 17th-Century Chesapeake”.
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Eles foram posicionados de modo a recriar uma fotografia que Krantz gostava, onde o cão está em suas patas traseiras com as patas dianteiras apoiadas nos ombros dele.
CIÊNCIA, AFETO E REFLEXÃO
Essa exibição vai além do realismo anatômico. Ela mostra:
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que cientistas também têm desejos muito humanos, de afeto, de manter laços mesmo após a vida;
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o valor educacional das doações científicas: ossos e esqueletos ajudam no ensino de osteologia, anatomia, forense;
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uma reflexão sobre o que significa permanecer “vivo” na memória e no legado — Krantz desejou ser “professor” mesmo depois da morte.
VERIFICAÇÕES E MITOS
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Mito: Krantz “foi encontrado vivo com o cão” — falso. Ele já havia falecido quando seu corpo foi doado, e Clyde já estava morto muito antes.
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Verdade: seu corpo e o de Clyde estão expostos juntos, em pose que remete à vida, como Krantz desejou. O esqueleto de Krantz teve cuidado de preservação, articulação e exibição respeitosa.


