
“Já é carnaval cidade, acorda prá ver”. Não! quero dizer: já é ELEIÇÃO Brasil, acorda prá ver.
Como no Carnaval, que trocamos o uniforme da vida real pela fantasia que pretende nos levar para o mundo da alegria, na política também sempre nos despimos das vestes da realidade e nos cobrimos de narrativas.
Mostram-se as análises, os dados, os fatos, a realidade — nada importa, continuamos presos às narrativas. E assim criamos uma militância que ignora qualquer racionalidade, como que num fundamentalismo religioso. Vivemos numa inversão de valores políticos onde a narrativa é que se impõe sobre a realidade. E o país vai cada vez mais afundando e se rendendo à bandidagem, à corrupção, e tudo o mais.
Neste nosso país, moderno, BANDIDO não é bandido — é companheiro disperso, de coração nobre. Precisa, apenas, ser abraçado e trazido para a frente ideológica de combate aos opressores: empresários, empreendedores, capitalistas, investidores, tradicionalistas, etc.
CORRUPTO também não é corrupto — é igualmente companheiro de coração nobre e, como tal, precisa ser preservado. Muitas vezes o corrupto é o mesmo que faz as leis, amiúde em causa própria. Desfrutam, portanto, de mecanismos de proteção tanto política quanto jurídica para manutenção do status quo.
Notem que as duas questões políticas mais importantes e de maior preocupação para o eleitor, neste pleito, são justamente a bandidagem e a corrupção. Estas, por sua vez, frequentemente são transformadas em aliados políticos. Não é um belo paradoxo?
O caso mais recente e bem elucidativo de BANDIDAGEM e CORRUPÇÃO no nosso pais é o escândalo do Banco Master. Envolve uma rede ampla de empresários, operadores financeiros, políticos de diferentes legendas, juízes da Suprema Corte, servidores do Banco Central, etc. É uma corja imensa envolvida numa verdadeira sacanagem polítca, administrativa, financeira, jurídica, social, etc. Para nós, simples mortais, sobram apenas as queixas, os choros, as poesias e as canções.
Enquanto seres políticos de consciência ainda atrofiada, não estamos além daqueles da “caverna de Platão” que se recusam a ver a vida iluminada do lado de fora. É este o nosso problema maior.
Depende de nós que o circo não permaneça armado, e que os palhaços não continuem a rir de nossas caras.
Acorda prá ver, Brasil!
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Mestre em Comércio Internacional e Políticas. para o Alternativa News