
A política brasileira chegou no seu nível mais baixo: o da trincheira.
Quando partidos rivais se tornam inimigos, a competição política se torna guerra e as instituições são transformadas em armas. Já não existe mais um comprometimento com as normas estabelecidas, com a civilidade e a cooperação. A política, como a entendemos, já não existe.
Hoje em dia basta um olhar no olhar, ou uma inflexão de voz, ou mesmo uma palavra de um pensamento expresso de forma mais sincera e, pronto, o arsenal dos entrincheirados logo entra em ação: imorais, corruptos, impatriotas, fascistas, etc.
É o sectarismo político. Em vez de se tratarem como competidores democráticos legítimos, naturalmente detentores de ideias políticas diferentes, partidos opostos se veem como inimigos implacáveis — um apontando o dedo para o outro como “ameaça existencial para a nação”.
É o aviltamento moral: políticos e eleitores em lados opostos não estão preocupados com uma compreensão mútua sobre propostas, ou em equilibrar o entendimento e a argumentação. O que querem é vencer a discussão; e tudo se transforma numa guerra do “nós e eles” (lembram o começo disso?). E aí o compromisso legislativo se torna impossível. Isso é conhecido como “política de soma- zero” que leva à erosão das normas democráticas; e instituições como o judiciário, e mesmo a aplicação da lei, se tornam politizadas e armamentizadas.
E a base da sociedade democrática, que deveria ser saudável, se corrói: pessoas cortam relacionamento com amigos e até familiares; aparece a discriminação no ambiente de trabalho; violência política; agitação civil, etc.
E neste ponto, todos perdemos a fé de que as instituições democráticas alcancem os resultados esperados. Reverter esta situação nao é tarefa fácil. Um passo importante, a meu ver, envolve ter na mentalidade política, de forma absoluta, a EDUCAÇÃO como base estratégica e impulsora do desenvolvimento e revitalização da nação. NÃO TEMOS — e este é nosso maior dilema.
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Mestre em Comércio Internacional e Políticas. para o Alternativa News