
O ministro Luiz Fux solicitou oficialmente nesta terça-feira (21) sua transferência da Primeira para a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma série de divergências com colegas nas ações penais relacionadas à chamada “tentativa de golpe”.
O pedido foi encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, e busca preencher a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
Atualmente, a Primeira Turma é composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino (presidente do colegiado) e o próprio Fux — que, nos últimos julgamentos, foi o único a divergir das condenações em massa impostas aos réus ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A divergência que incomodou os colegas
Durante o julgamento do chamado núcleo 1, composto por Bolsonaro e sete aliados, Fux votou pela condenação apenas de Mauro Cid e Walter Braga Netto, destacando que os demais não tiveram envolvimento direto nos supostos atos golpistas. Sua postura destoou do restante da turma, que seguiu integralmente o voto de Moraes.
Desde então, fontes de bastidores relatam que o ministro passou a ser tratado com frieza dentro da Corte, tornando-se uma “voz isolada” entre magistrados que preferem a unanimidade em casos politicamente sensíveis.
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O que acontece agora
O presidente Edson Fachin ainda não decidiu se acatará o pedido. Caso o faça, Fux passará a integrar a Segunda Turma, hoje formada por André Mendonça, Nunes Marques, Dias Toffoli e Gilmar Mendes — um grupo considerado mais técnico e menos alinhado ao ativismo judicial.
Nos próximos meses, a Primeira Turma deve julgar os núcleos 2 e 3 do processo. Ainda não está claro se Fux permanecerá até essas sessões ou se deixará o colegiado antes.
Leitura política
A movimentação de Fux é vista por analistas como um sinal de desgaste interno no Supremo e um possível reposicionamento institucional diante das pressões políticas e das divisões ideológicas dentro da Corte.
Entre apoiadores da direita, o gesto de Fux é interpretado como um ato de coragem e independência — um contraponto ao que consideram uma “caça jurídica” a Bolsonaro e seus aliados.