Acordo UE-Mercosul e o Multilateralismo (Por Yalu Tinôco)

A cooperação é condição sine qua non para os países organizarem suas ações, promoverem interesses comuns e alcançarem objetivos determinados — isto é o multilaterismo.
Para tanto entram em cena as instituições internacionais, convenções e tratados através dos quais se cria um conjunto de normas para facilitar as negociaçôes e ações coletivas fundamentais para a órdem global. É, portanto, parte de um processo histórico e evolutivo onde a confiança, o respeito e a resolução pacífica das disputas formam a nova base das relações internacionais. O multilateralismo avançou.
Não obstante, tem sofrido reveses por muitos motivos: ascensão de políticos populistas nacionalistas, guerras comerciais, tensões geopolíticas, conflitos, etc., que enfraquecem a cooperação global e fragilizam as instituições multilaterais.
Uma das áreas mais afetadas tem sido o comércio mundial. As bases mais amplas do multilaralismo foram construídas após a segunda guerra mundial com o chamado “Sistema da ONU” e suas agências especializadas, dentre elas a Organização Mundial do Comércio (OMC) responsável por fomentar o comércio internacional tornando-o mais livre, mais justo, e mais previsível. Houve muitos avanços e conquistas na liberalização comercial; mas, também, muitas queixas com relação à distribuição dos seus ganhos.
Fato é que a agenda comercial se tornou muito ampla e complexa (englobando áreas como a de serviços, investimentos, compras governamentais, direito de propriedade intelectual nos seus aspectos relacionados ao comercio, ambientalismo, etc.) criando muitas dificuldades para as economias menores, que começaram a olhar o sistema multilateral de comércio como uma ferramenta a serviço das nações mais ricas. E a crença num comércio mais justo e previsível foi pouco a pouco se esvaindo.
Dani Rodrik – professor de Política Econômica Internacional da Universidade de Harvard (USA) – argumenta que há um conflito na economia global entre a globalização, as políticas democráticas, e os arranjos sociais domésticos. Afirma que a globalização não pode ser colocada acima da soberania econômica das nações, mesmo com todo o bem e eficiência que ela tráz por conta da lógica e da racionalidade dos mercados, principalmente com relação à redução dos custos de produção.
Não obstante o multilateralismo ter retrocedido, e apesar das decepções e tristezas, o ideal de um mundo mais unido, com mais colaboração política e mais cooperação econômica continua vivo. E o Acordo comercial entre a União Européia e o Mercosul, com benefícios políticos, econômicos e sociais para os dois lados do Atlântico, apenas corrobora esta narrativa. É um sinal claro de que o multilateralismo NÃO MORREU e que, com alguns ajustes, é mais conducente à paz e à prosperidade do que as visões populistas nacionalistas e isolacionistas em voga.

Veja outras matérias; 

Coluna de opinião

Yalu Tinoco – Mestre em Comércio Internacional e Políticas. para o Alternativa News

>>SIGA O CANAL DA ALTERNATIVA NEWS NO WHATSAPP

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima