FUTEBOL E POLÍTICA (Por Yalu Tinôco)

Terminado o carnaval, as atenções se voltam para o futebol e a polítca: é ano de copa do mundo e eleições gerais. São dois eventos importantes, mas que mexem com a alma da nação de forma diferente: num, somos engajados; noutro, alienados.

No futebol não temos problema — somos pentacampeões, os únicos no mundo. Mesmo assim, é estarrecedor e patético ver os filhos da pátria amada (homens, mulheres, jovens, velhos) todos revoltados e chorosos cada vez que perdemos no futebol.

Problema mesmo temos na política: na educação, na segurança, na saúde enferma, nos serviços públicos de padrão “não-FIFA”, na economia deslizante, etc. Perdemos todos os dias na política, mas não vemos comoção.

Quando não ganhamos no futebol é porque não soubemos conduzir o nosso time, fizemos escolhas erradas, não orientamos corretamente as ações dentro de campo, e não nos demos conta dos percalços do caminho até a vitória final; preferimos apostar, sempre, no excesso de confiança. Da mesma maneira, os nossos tantos problemas políticos são frutos, em boa medida, da incompetência dos nossos líderes que se mostram inaptos a resolvê-los.

Temos de ter na política a mesma pegada que temos no futebol: de não aceitar a derrota. Para tanto, precisamos mostrar menos alienação cultural e guardar um pouco mais desta emoção descontrolada e patriótica (que temos pelo futebol) para ajudar-nos a resolver os nossos tantos problemas políticos que, certamente, são mais angustiantes.

Assim como por alguma incompetência, não obstante bons recursos técnicos, o nosso time é eliminado de uma copa do mundo, necessário se faz que os políticos incompetentes também sejam eliminados do jogo político para que possamos nos tornar campeões na copa do desenvolvimento político, econômico e social.

Precisamos ter mais discernimento político para planejar melhor o futuro e ter mais motivo de orgulho e chorar de emoção, não só pelo time de futebol, mas tambem por sermos mais gentil, “pátria amada, Brasil”.

Diante da carga de problemas políticos, econômicos, sociais e institucionais atuais, é razoável inferir que os atuais governantes perderam a habilidade para governar. Então, a mudança de visão política se torna imperativa, pois temos de ser atendidos nos requerimentos básicos necessários para satisfação das nossas expectativas futuras. Assim, o valor do nosso patrimônio cultural precisa estar além do futebol; temos de abraçar a política com o mesmo ímpeto.

O problema é que “muitas vezes as pessoas se recusam a ouvir a verdade porque não desejam que suas ilusões sejam destruídas”. ( Friedrich Nietzsche).

Futebol e política entram no mesmo bar, mas temos de aprender a cobrar mais da política.

Coluna de opinião

Yalu Tinoco – Mestre em Comércio Internacional e Políticas. para o Alternativa News

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